Cláudia Barroso Machado transforma a água em legado, propósito e vida.
Sobre o Atleta
Existem atletas que competem, que vencem, que transformam o esporte em uma extensão da própria existência. A trajetória de Cláudia Barroso Machado pertence a esse lugar raro, onde dedicação, sensibilidade humana, disciplina e amor pelo esporte caminham juntos há décadas.
Aos 63 anos, Cláudia construiu uma história que ultrapassa medalhas, rankings e resultados. Sua caminhada dentro do esporte master representa algo maior: a permanência da paixão, da coragem e da vontade de continuar vivendo intensamente através do movimento.
Desde a infância, o esporte já ocupava espaço central em sua vida. Nas aulas de educação física do Colégio Bennett e, posteriormente, no Instituto de Educação do Rio de Janeiro, ela descobriu um universo que nunca mais deixaria para trás. Vôlei, basquete, handebol, atletismo, dança, ginástica e, principalmente, a natação ajudaram a formar não apenas uma atleta, mas uma mulher profundamente conectada ao esporte e ao que ele representa.
Mas sua trajetória jamais foi construída apenas por caminhos fáceis.
Ainda menina, uma desclassificação em uma competição a afastou das piscinas. Um episódio duro, capaz de interromper sonhos. Durante anos, Cláudia se manteve distante da natação competitiva. Até que a vida, como tantas vezes acontece com quem pertence verdadeiramente ao esporte, a levou novamente para dentro da água.
O reencontro aconteceu já adulta, na Barra da Tijuca. E foi ali que ela encontrou o esporte master. Mais do que um ambiente de competição, encontrou pertencimento.
"Água é minha vida", resume.
E talvez nenhuma frase explique tão bem sua história.
Ao longo dos anos, Cláudia construiu uma trajetória sólida e respeitada dentro das piscinas e também no mar. Representando o Fluminense Football Club, participou de Campeonatos Brasileiros Masters, Troféu Brasil Masters, Sul-Americanos e PanAmericanos organizados pela ABMN, além dos campeonatos estaduais promovidos pela FARJ, competindo em piscinas curtas e longas, mantendo consistência competitiva ao longo das décadas.
Entre todos os momentos de sua carreira, um se destaca como marco definitivo. Sua participação no Mundial de Sheffield, na Inglaterra, em 1996, ao lado da equipe master do Fluminense. Um momento que ampliou horizontes, conectou sua trajetória ao cenário internacional e a colocou lado a lado com atletas de diferentes partes do mundo.
No mar, sua história ganha contornos ainda mais intensos.
Participou de diversas edições da Travessia dos Fortes, nadou das Cagarras até Ipanema, atravessou provas em Angra dos Reis, Saquarema, Búzios e lguaba Grande, esteve no Rei e Rainha do Mar e no Rainha do Mar, além de provas no entorno do Pão de Açúcar. Também competiu em etapas do Aloha Spirit, em Ilha bela, e no XTerra, enfrentando desafios que exigem resistência, preparo e conexão com o ambiente.
Entre tantas conquistas, algumas carregam significado especial. Em 2024, conquistou a Black Medal no Aloha Spirit, um reconhecimento que simboliza superação e consistência. Em 2026, voltou a marcar sua trajetória ao completar os 5 km da maratona aquática do Aloha Spirit, na Lagoa de Saquarema, reforçando sua permanência ativa em alto nível. Soma-se a isso sua participação em provas de 5 km no circuito Rei e Rainha do Mar, ampliando sua atuação em provas de longa distância.
Também conquistou medalha de prata nas eliminatórias do Oceanman, resultado que garantiu classificação para a final mundial em Dubai, evidenciando sua competitividade em nível internacional.
Mas talvez um dos capítulos mais simbólicos de sua trajetória seja justamente aquele em que decidiu transformar sua habilidade em cuidado com o outro.
Motivada por sua vivência na natação e nas maratonas aquáticas, Cláudia realizou o curso da SOB RASA e se formou como guarda-vidas voluntária junior, atuando por um período em atividades de salvamento aquático.
"Eu pensava: eu sei nadar … por que não ajudar quem não sabe e pede socorro no mar?", relembra.
Mais do que uma escolha esportiva, foi uma decisão de propósito.
Uma experiência que ela define como única e inesquecível.
Sua atuação no esporte também se estende à arbitragem. Formada pela FARJ, atuou nas modalidades de natação, polo aquático e saltos ornamentais, contribuindo diretamente para a organização e desenvolvimento do esporte.
Sua formação acadêmica em Educação Física, somada à pós-graduação em Psicomotricidade, reforça ainda mais seu compromisso com a saúde, com o movimento e com o impacto do esporte na vida das pessoas.
A presença em grandes eventos esportivos como voluntária fortalece essa conexão. Jogos Olímpicos, Paralímpicos, Pan-Americano e Para-PanAmericano fazem parte dessa trajetória. Na Copa do Mundo FIFA Brasil 2014, participou da cerimônia de abertura após dois meses intensos de preparação.
E atuou como Árbitra, no Campeonato Mundial Militar em 2017.
"Fui uma das bolas correndo pelo campo", relembra com leveza. "E, quando tudo estava pronto, ainda mudaram a coreografia no final."
Mas sua dedicação à sociedade vai além do esporte. Cláudia também atuou como mesária em eleições, exercendo seu papel cívico com o mesmo senso de responsabilidade e compromisso que leva para dentro da água.
Mesmo diante de desafios como a ausência de patrocínio e os altos custos das competições, ela nunca parou.
Porque, para ela, o esporte não é apenas prática.
É forma de viver.
"Antes tarde do que nunca", costuma dizer.
E essa filosofia se traduz em cada treino, cada prova, cada mergulho.
Hoje, convivendo com atletas de diferentes gerações, de diferentes gerações e de 60 a mais de 90, ela segue encontrando motivação em um ambiente que prova diariamente que a vida continua em movimento.
Agora, Cláudia se prepara para mais um capítulo marcante. Os Master Games Brasil Rio 2026. Competirá na natação em piscina, maratona aquática, caminhada e, se possível, também no tênis de mesa.
Para ela, o evento será um divisor de águas.
Um momento de projeção internacional, de valorização do esporte master e, acima de tudo, de celebração de trajetórias como a sua.
Histórias como a de Cláudia Barroso Machado não apenas emocionam.
Elas transformam.
Porque mostram que o tempo não diminui quem escolhe continuar.
O tempo fortalece.
E dentro da água, Cláudia segue exatamente assim.
Forte.
Viva.
Em movimento.