Eduardo Assis “Tubarão”

Natação

Sobre o Atleta

A continuidade da superação: uma trajetória no esporte master

Natural de Salvador, na Bahia, onde nasceu em 10 de outubro de 1958, o nadador Eduardo José Pereira Assis construiu ao longo da vida uma trajetória marcada pela persistência, pela disciplina e por uma profunda conexão com o esporte. Hoje, aos 67 anos, residente no Rio de Janeiro, atleta laureado do Clube de Regatas Flamengo e integrante da equipe Master de Natação, competindo na categoria de 65 a 69 anos, ele representa um exemplo concreto de longevidade ativa aliada ao desempenho esportivo.

O primeiro contato com a natação ocorreu ainda na infância, quando, aos oito anos, iniciou a prática por recomendação médica em razão de crises severas de bronquite asmática. Naquele momento, o esporte surgiu como uma necessidade para preservar a saúde. O menino que enfrentava dificuldades na aprendizagem da modalidade, convivia com o excesso de peso e lidava com situações de exclusão em competições escolares encontrou nas piscinas não apenas uma forma de recuperação física, mas também o caminho para o fortalecimento emocional e para a construção de objetivos.

Com a melhora progressiva do quadro respiratório, vieram também os resultados esportivos. Entre as décadas de 1970 e o início dos anos 1980, Eduardo participou de competições oficiais no Brasil e no exterior, destacando-se especialmente nas provas de medley, peito, borboleta e longa distância. Ainda adolescente, vivenciou suas primeiras experiências em travessias de mar aberto no litoral baiano, desafios que contribuíram decisivamente para moldar sua relação com a superação e com o espírito competitivo.

Após encerrar o ciclo competitivo na natação tradicional, o atleta ampliou seus horizontes no esporte de resistência. Passou a competir em provas de corrida e triathlon, alcançando resultados expressivos e realizando um dos maiores sonhos da carreira esportiva ao completar, em 1984, o exigente Ironman do Havaí. A competição, composta por 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e uma maratona de 42 quilômetros, exigiu preparação intensa, disciplina e capacidade de resistência física e mental, consolidando sua identidade como atleta de endurance.

Mesmo após interromper a participação em competições de alto rendimento no triathlon, Eduardo nunca se afastou da atividade física. A prática esportiva permaneceu presente como instrumento fundamental de saúde, equilíbrio emocional e qualidade de vida. A partir de 1986, passou a integrar de forma contínua o universo das competições master, tanto em piscinas quanto em águas abertas, acumulando experiências esportivas e sociais em diferentes clubes e equipes, entre eles o Iate Clube do Rio de Janeiro, o próprio Clube de Regatas Flamengo, a equipe Luiz Lima Gladiadores e o grupo SWIM3.

Nas últimas décadas, os resultados expressivos se multiplicaram. Entre as principais conquistas estão títulos sul-americanos e pan-americanos, presença em rankings mundiais entre os dez melhores atletas da categoria e atuações marcantes em campeonatos internacionais. Eduardo também é o atual recordista sul-americano dos 200 metros peito na categoria 65-69 anos, tanto em piscina curta (25 metros) quanto em piscina longa (50 metros), resultado que reforça sua consistência técnica e seu elevado nível competitivo no cenário master.

O ano de 2025 consolidou ainda mais sua relevância nas provas de águas abertas no litoral do Rio de Janeiro. Em agosto, conquistou o título da Travessia de Copa, na distância de 3,8 quilômetros. No mês seguinte, venceu duas competições tradicionais do calendário esportivo nacional: o Oceanman, com percurso de 10 quilômetros, e o Rei & Rainha do Mar, também com 10 quilômetros de extensão, demonstrando consistência técnica, preparo físico e elevada capacidade de resistência.

O momento mais emblemático da trajetória recente ocorreu em fevereiro de 2026, quando completou a histórica travessia do Leme ao Pontal, um desafio de aproximadamente 36 quilômetros ao longo do litoral carioca. Foram 12 horas e 27 minutos de esforço contínuo, enfrentando correntezas, desgaste físico intenso e oscilações emocionais características das grandes provas de endurance. A conquista ganhou repercussão internacional no mês seguinte, quando o atleta recebeu a certificação oficial do Guinness World Records, tornando-se o homem com mais idade a concluir essa travessia.

Para Eduardo, o esporte sempre representou muito mais do que medalhas ou resultados competitivos. Trata-se de um estilo de vida construído diariamente, baseado na disciplina, na constância e na busca permanente por novos desafios. A natação, em especial, possui um significado simbólico profundo, por ter sido responsável pela superação das dificuldades respiratórias na infância e por permanecer, até hoje, como fonte de motivação e propósito.

Integrar o movimento do esporte master, segundo ele, significa cumprir uma missão pessoal: inspirar outras pessoas a estabelecer metas e acreditarem na própria capacidade de superação. “Nunca é tarde para começar. O exercício físico é o remédio mais potente para prolongar a vida com qualidade”, costuma afirmar.

Com esse espírito, o atleta já confirmou presença nos Master Games Brasil Rio 2026, organizados pelo CBEM, onde pretende competir nas provas de crawl, peito e medley. A expectativa é participar de um evento capaz de fortalecer o esporte master no país e ampliar a conscientização sobre a importância da atividade física como ferramenta de saúde, integração social e qualidade de vida.

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